sábado, 10 de janeiro de 2009

Música e arte através da flauta


Tarde limpa e agradável de sexta-feira em Natal. Da varanda ampla e arejada da casa de um amigo, observava o pouco movimento na rua à espera de um ilustre músico potiguar com quem teria um encontro. Naquele meio tempo, fui redigindo e alterando algumas perguntas que iriam embasar a entrevista que viríamos a fazer logo mais.

Flauta no ombro, roupas simples e a inseparável boina preta de sempre. Carlinhos Zens chegara no horário marcado. Com a humildade dos verdadeiros artistas, veio até mim, cumprimentou-me e iniciamos uma “conversa musical” que se estendeu durante todo o percurso da casa até o local do ensaio de apronto que faria para uma apresentação no Forró da Lua.

Zens é natalense, nascido mais precisamente no tradicional bairro das Rocas, mas carrega consigo a carga cultural de todo um estado. Ao iniciar os estudos musicais na Escola de Música da UFRN, com quinze anos, tinha clara a meta de ser músico e viver da sua arte. Longe de sua terra, ainda bacharelou-se pelo Instituto de Artes da UNESP (Universidade Estadual Paulista).

Entrevistar é algo surpreendente. Passar o resto de tarde toda conversando com Carlinhos Zens não seria difícil. Falamos de música potiguar, das inovações dos gêneros musicais, dos seus trabalhos e de futebol. A paixão declarada de Zens pelo glorioso ABC Futebol Clube também é cantada em verso e prosa na música “Sou da Frasqueira”, em alusão à torcida do alvinegro.

Seguindo uma linha riquíssima herdada dos mestres da cultura popular, o artista carrega consigo o Boi de Reis do potiguar Manoel Marinheiro, a ciranda de Lia de Itamaracá, a rabeca de Cícero Carlos e Paulo da Rabeca, os acordes mágicos de Dominguinhos, dentre tantas outras influências. Carlinhos é sem sombra de dúvidas a personificação da música popular, um recanto cultural de extrema importância para a sobrevivência do que realmente vale à pena.

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